A Justa Ira do Deus Santo

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Vimos que Deus mostrou sua fidelidade aos filhos de Israel ao lembrar-se das promessas feitas aos patriarcas, salvando-os da escravidão no Egito. Com grande livramento e poder o povo foi tirado debaixo do jugo dos egípcios.

Deus estava do lado do seu povo: Deu-lhes vitória contra os amalequitas e já havia perdoado a transgressão de Israel no culto ao bezerro do ouro.

Com muitos sinais o Senhor já havia mostrado a Israel que Ele era o Deus deles e que não havia outro. Dadas as tábuas da Lei, o Senhor ordena a Moisés levantar o tabernáculo. Dá a ele todas as medidas e Moisés obedece. Mostra-lhe as formas de adoração, como devem ser feitas as ofertas e sacrifícios, ditando até a receita do incenso que deveria ser usado. Moisés repassa as ordens ao povo, ou seja, tudo lhes é explicado minuciosamente da forma como deveria ser feito.

Deus então escolhe Arão e seus filhos para o servirem como sacerdotes. Arão tinha quatro filhos: Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.

No capítulo 10 deste livro vemos uma situação perturbadora. Nadabe e Abiú morrem aparentemente cumprindo sua obrigação diante do Senhor. O próprio Deus foi quem os matou. Vejamos:

Nadabe a Abiú morrem diante do Senhor

“E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara.
Então saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.” 
(Levítico 10:1-2).

A imediatez na punição de Nadabe e Abiú choca num primeiro momento. Qual teria sido o motivo da morte deles? Qual teria sido o pecado tão grande cometido por estes sacerdotes?

A palavra hebraica usada para estranho é a raiz primitiva ZUWR (זור) que significa: Estranho, estrangeiro, profano, bêbado ou adúltero. Este verbo pode significar também ser um estrangeiro ou ter alucinações por conta da bebida. Usado neste contexto sob a forma de particípio, sugere apenas algo fora da lei de Deus, mas não o especifica.

A definição exata deste verbo no texto identificaria o pecado de Nadabe e Abiú. Como isso não acontece, surgiram-me algumas opiniões sobre o que teria sido o pecado cometido por eles.

A partir da própria definição do verbo, destacarei duas prováveis causas para a punição com a morte destes sacerdotes:

A primeira delas, é que talvez os sacerdotes estivessem bêbados. No capítulo 9, após Arão oferecer sacrifícios por si mesmo e pelo povo, e estes sacrifícios serem aceitos por Deus, Moisés os abençoa. Os versículos 23 e 24 dizem o seguinte:

Então entraram Moisés e Arão na tenda da congregação; depois saíram, e abençoaram ao povo; e a glória do SENHOR apareceu a todo o povo.
Porque o fogo saiu de diante do SENHOR, e consumiu o holocausto e a gordura, sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilaram e caíram sobre as suas faces. 
(Levítico 9:23-24).

Podemos supor que, por conta da alegria, estes sacerdotes se embebedaram ou vendo que o Senhor aceitara pelas mãos de Arão os sacrifícios, seus corações se envaideceram na procura de reconhecimento pelo povo. Talvez quisessem ser reconhecidos, já que também eram consagrados sacerdotes. Entraram no Santo, ou talvez, no Santíssimo e queimaram incenso ao Senhor. Desta maneira Deus se indignou com eles, pela sua postura e pelos seus corações, pois desacataram ao Senhor e isto os matou. Quiseram oferecer incensos de qualquer maneira, não atentando que, em se tratando de Deus, tudo deve ser feito como Ele quer e não como achamos que Ele deva querer.

Lembrando também que, quando um sacerdote entrava na presença de Deus, tinham por costume lavar-se, usando as roupas santas (o Senhor também ditou cada detalhe destas roupas). Até mesmo as roupas íntimas dos sacerdotes eram do material e da forma como o Senhor havia designado e ordenado.

Como então poderiam estes, entrar sem a consciência do que estavam fazendo? Como então poderiam desacatar e ignorar a santidade de Deus?

Isto foi uma ofensa punida imediatamente para que todo Israel não fosse influenciado por este pensamento maligno, tratando Deus como se fosse um ídolo qualquer.

Os versículos 9 e 10 parecem confirmar este pensamento:

“… Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações;
E para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo,…” 
(Levítico 10:9-10).

A preocupação de Deus em Israel não seguir este exemplo, também parece se confirmar na continuação deste conselho de Moisés:

E para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por meio de Moisés. 
(Levítico 10:11).

Outra possibilidade levantada é a que os sacerdotes entraram sem a autorização de Deus, usando o incenso que ficava, provavelmente, guardado sob a custódia de Moisés ou Arão.

Os sacerdotes estariam ansiosos por iniciar a mais honrosa porção do seu dever quando isto não lhes foi ordenado. Esta adoração foi presunçosa o que, obviamente, não glorificou a Deus.

Qualquer que tenha sido a ação pecaminosa de Nadabe e Abiú, a punição foi imediata e completa: fogo saiu diante do Senhor e os consumiu.

Houve no Novo Testamento, um fato similar: Ananias e Safira depois de mentirem ao Espírito Santo morreram imediatamente diante de todos os que estavam no Templo. Isso teve um efeito benéfico sobre todos os que souberam do fato fazendo-os refletir com seriedade.

Nos dias atuais

Quando entramos na presença de Deus ou oferecemos louvores a Ele devemos ter sempre em nossos corações e mentes, o que representa dirigir-nos a Deus. Quando estamos diante de muitas pessoas, como a congregação da Igreja, nosso cuidado tem de ser redobrado.

O Senhor não muda e nunca mudou. Nenhum tanto de santidade de Deus se perdeu daquele tempo pra cá, e ainda assim, algumas pessoas dizem que não se deve mais temer quando sobem no altar. Oferecendo a Deus louvores ou entrando em Sua presença em oração de qualquer jeito. Sem tomarem consciência alguma de seus próprios pecados.

Mesmo agora enquanto digito, estando sob a inspiração do Espírito Santo, devo cuidar para que o meu coração não procure louvores dos homens através deste estudo. O que seria para glorificação de Deus e edificação da Igreja se torna profano e pecaminoso quando agimos com vaidade no nosso coração.

Ananias e Safira talvez agissem com a motivação de serem reconhecidos por sua falsa generosidade. Nadabe e Abiú talvez cometessem este mesmo pecado e ignorando ao Senhor, foram presunçosos, fazendo pouco caso de Deus.

Conclusão

O Deus Justo e Santo operou sua justiça quando puniu corretamente àqueles que pecaram e Ele ainda faz isso, pois nunca muda.

Se cremos em Deus e sabemos que Ele é justo, devemos esperar Dele que em sua reta justiça, absolva o justificado pela Graça (pois por isso mesmo somos salvos) e também puna àqueles que sempre se recusaram a viver na Verdade (Como o próprio Satanás – João 8:44).

Pois se Ele não os punisse, agiria injustamente com aqueles que abdicaram e recusaram o pecado. Agiria com injustiça até mesmo com Seu Filho e com Seu povo, o que é verdadeiramente impossível quando falamos de Deus.

Não vemos por aí pessoas morrendo consumidas por fogo do céu, mesmo sabendo que a hipocrisia e a procura por reconhecimento estão no meio do povo de Deus. Por este motivo, algumas pessoas acreditam que não haverá severidade para com elas da mesma forma que houve com Nadabe e Abiú em seu tempo. Vivendo na dispensação da Graça, algumas pessoas ousam viver acreditando que Deus não é o mesmo Deus que punia o pecado no Antigo Testamento.

Igreja, o teu Deus é o mesmo e Nele não há mudança nem sombra de variação 
( Tiago 1:17)

E novamente, Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Hebreus 13:8.

 

¨     ¨     ¨

Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.

E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

(Mateus 6: 1 5,6).

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